Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

25/08/2016

Pro memoria (314) – «Novas oportunidades», a re-posição

Recordam-se do programa socrático «Novas Oportunidades» que até 2011 torrou 1,8 mil milhões de euros para distribuir diplomas que não valem nem o papel em que estão impressos e que nem um empresário analfabeto impressionariam?

Pois bem, no seu afã de re-pôr, a geringonça ressuscita o programa «Novas Oportunidades» mudando-lhe o nome para «Qualifica», propondo-se gastar 50 milhões por ano para emitir diplomas.

Nada surpreendente, na concepção socialista da educação combate-se o analfabetismo funcional atribuindo um diploma ao analfabeto funcional em troca de uma estória da vida dele. De caminho atinge-se «a meta de 40% de diplomados entre 30 e 34 anos» (Expresso).


Se fosse ministro da Educação da geringonça (vade retro satana!), inspirava-me na anedota de Milton Friedman e, em vez de dinheiro, lançaria diplomas a partir dos helicópteros dos bombeiros aproveitando a época morta dos incêndios.

24/08/2016

ACREDITE SE QUISER: Berloquismo defende «mulheres com deficiência de foro mental» pessoas do género feminino com deficiência intelectual da exploração capitalista

O BE tem uma nova causa: a defesa de «quatro mulheres com deficiência de foro mental» contra a sua exploração na «oficina das hóstias, no Instituto Monsenhor Airosa, em Braga. Duas, numa sala, escolhem partículas usadas na eucaristia. Outras duas, noutra sala, partem e separam aparas, iguaria cada vez mais apreciada como aperitivo.»

Uma responsável do Instituto confessou o crime e admitiu que as pessoas do género feminino «além de participar em actividades lúdicas, como natação ou zumba, colaboram nas actividades da casa».

Chamada de atenção politicamente correcta:
O Público, que publicou a referida notícia, deve enviar as suas jornalistas à universidade de Verão do BE para participarem no «comboio de massagens» e aprenderem o newspeak PC, como exemplifico neste post.

Olimpíadas Socialistas

KAL's cartoon, Economist

SERVIÇO PÚBLICO: Impertinências que outros escreveram e nós temos pena de não ter escrito

«O choradinho olímpico» - João Miguel Tavares, no Público, desmistifica a mendicância medalhística.

«10 Erros sobre o turismo em Lisboa» - Tomás Belchior, no Insurgente, desmistifica as teses da ciência de causas de um geógrafo PhD.

23/08/2016

ESTÓRIA E MORAL: A maior prova de insanidade

Estória

«Solução para o "Brexit" é mais integração, defendem Renzi, Merkel e Hollande»


Era uma vez uma sociedade que durante décadas de vacas gordas se foi alargando e integrando novos sócios. Chegaram as vacas magras e a sociedade está em crise. Um dos sócios decidiu sair e outros dividem-se entre os que estão descontentes por receberem de menos e os que estão descontentes por pagarem de mais.

Três sócios fundadores reuniram-se e decidiram que a solução será fazer a mesma coisa mais depressa e com mais intensidade.

Moral

«Fazer todos os dias as mesmas coisas e esperar resultados diferentes é a maior prova de insanidade» (Albert Einstein, Benjamin Franklin ou Rita Mae Brown, um deles disse isso).

A mentira como política oficial (20) – Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Com vista a combater a evasão fiscal, a geringonça pretendia meter o bedelho nas contas bancárias dos «ricos», nome que os socialistas aplicam à classe média que não depende do Estado Sucial e paga 3/4 dos impostos. Primeiro a coisa ficou escondida na Lei do Orçamento do Estado para 2016 sob a forma de uma autorização legislativa.

Depois quando o governo se preparava para criar o dispositivo legal necessário mandou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Tributários falar em nome do Fisco ficando a perceber-se que o governo pretendia conhecer os saldos das contas de todos os sujeitos passivos. Como isso gerou um certo borborinho, o governo apressou-se a esclarecer que essa informação apenas respeitaria aos indígenas com contas bancárias com saldo igual a 50 mil euros ou superior.

Como o borborinho continuasse, a geringonça mandou dizer através de fonte não reveladas (e o Observador vai nessa) que «pretende cumprir os compromissos internacionais do Estado português nesta matéria e reforçar os mecanismos que são internacionalmente considerados necessários como meios de combate à fraude e evasão fiscal, ao branqueamento de capitais e ao financiamento da criminalidade organizada e do terrorismo».

Na verdade, a directiva comunitária que cria esses controlos só se aplica aos estrangeiros residentes em Portugal e aos portugueses residentes no estrangeiro e não a todos os portugueses.

SERVIÇO PÚBLICO: A geometria não euclidiana do GES

Diagrama do Expresso
Esquema montado durante pelo menos duas décadas por Ricardo Salgado e a sua clique, com numerosos cúmplices pela acção e pela omissão, para fazer circular e multiplicar o dinheiro.

22/08/2016

Mitos (239) - A troika deixou os portugueses mais pobres e mais desiguais

Há dois anos, com base em dados do período 2007-2011 do estudo da OCDE «Rising inequality: youth and poor fall further behind», Insights from the OECD Income Distribution Database, June 2014, desmontei neste post a parte do mito antes da intervenção da troika, demonstrando que nesse período:
  • em relação aos rendimentos disponíveis as desigualdades diminuíram;
  • os mais afectados foram os ricos; 
  • os idosos tiveram ganhos nos rendimentos disponíveis;
  • a «austeridade neoliberal» foi menos penosa do que a «austeridade socialista» do Dr. Soares
Agora, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística, o Expresso num artigo intitulado «Pós-troika: mais poder de compra e menos desigualdades?», com um extraordinário ponto de interrogação supérfluo pelos dados citados no texto e só explicado pela doutrina oficial do jornalismo de causas, vem reconhecer que «após três anos de troika, o mercado de trabalho em Portugal sofreu algumas alterações. Já depois da intervenção externa no país, o salário mínimo subiu e também os rendimentos médios tiveram uma melhoria. Houve uma subida de 4,5% em dois anos. Ou cerca de 3,2% em termos reais».

Como explicar que, contrariamente à lengalenga e ao discurso da esquerdalhada, os portugueses estejam hoje melhor do que antes do início da crise em 2008 e, sobretudo, depois de 4 anos de intervenção da troika?

Fonte: Trading Economics

A resposta é dada pelo diagrama que mostra que entre 2007 e a actualidade a dívida pública portuguesa duplicou, significando que o Estado português fez uma redistribuição do rendimento à custa dos credores, nomeadamente FMI, BCE e CE. Em conclusão, os portugueses estão melhor hoje porque Portugal está pior, o que significa que os portugueses estão melhor no presente à custa de ficarem pior no futuro.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A igualdade a todo o custo custa a liberdade e sem liberdade há mais desigualdade

«Em Portugal, não há uma economia privada, uma sociedade civil ou uma classe dominante que dirija o país e comande o Estado. É o contrário. Sempre foi. À esquerda ou à direita, com interesses nacionais ou estrangeiros e com ou sem a Igreja, é o Estado que comanda. Por isso é tão frequente encontrar quem exerça o poder com o Estado, pelo Estado e através do Estado. É um Estado para todas as estações. E todos os azimutes. Nas últimas décadas, o Estado fez a guerra e a descolonização, fez a revolução e a contra-revolução, nacionalizou e reprivatizou a economia.

(...)

O trabalho, a justiça, a cultura e a igualdade são valores de esquerda. Ou antes, também são de esquerda. Mas a liberdade vem à cabeça. Pelo menos com a esquerda democrática. Quando um partido ou um governo substitui, entre as prioridades políticas, a liberdade pela igualdade, não restam dúvidas: esse partido ou esse governo está a abandonar a democracia! A igualdade não é uma arma de luta pela liberdade. Com a igualdade, é difícil defender a liberdade. Pelo contrário, com liberdade, podemos combater a desigualdade. A liberdade é mesmo a principal arma de luta pela igualdade.»

Liberdade e igualdade, António Barreto no DN

Ocorre-me o pensamento de António Alçada Baptista que serve de epígrafe a este blogue:
«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.»

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (45)

Outras avarias da geringonça.

É uma fatalidade. Só o governo acredita, melhor, diz acreditar, nas suas metas. A UTAO estima que a dívida pública tenha subido para 131,6% no fim do 1.º semestre já acima da meta do governo no final do ano (124,8%).

É claro que, com toda a naturalidade, a situação portuguesa vista de fora inspira as maiores reservas. Como ao Commerzbank que vê Portugal e Espanha em «planetas diferentes». É natural, basta olhar para o diagrama seguinte com os yields a 10 anos para ter de concordar com esse juízo que a gerigonça talvez possa ignorar. Contudo, já será mais difícil ignorar o que pensa a DBRS, a agência de rating que é a única a manter a dívida portuguesa acima do nível junk e dela depende o acesso ao crédito do BCE. E o que diz a DBRS? Diz que está «preocupada» o que em reitinguês quer dizer cuidem-se que estamos a considerar o downgrade.

21/08/2016

ESTÓRIA E MORAL: Os pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam têm um défice estrutural de memória

Estória

Era uma vez um pastorinho da economia dos amanhãs que cantariam mas não cantaram e, pelos vistos, não cantarão. Chamava-se Nicolau Santos e tinha o blogue  «Keynesiano, graças a Deus», no Expresso, onde escrevia coisas que o John Maynard se ressuscitasse lhe diria Nicolau, Sir, you got stuck in the 30s.

Desta vez escreveu um artigo baptizado «O que dá vender empresas a estrangeiros». Escrevi baptizado, em vez de intitulado, em homenagem ao seu episódio com o vigarista Baptista da Silva que constitui o conto do vigário mas notável do século XXI, o que não é dizer pouco neste país onde há imensa gente a viver de contos do vigário.

Nesse artigo Nicolau Santos atira-se ao «hipermercado das ideias económicas (onde) há quem defenda que não interessa a nacionalidade de quem detém as empresas bla bla bla» e para demonstrar a justeza da sua tese, que parece ser a de que o que interessa é nacionalidade das empresas, apresenta dois exemplos, a PT e a Cimpor, com a mesma infelicidade que evidenciou a escolha de Baptista da Silva para demonstrar uma outra sua tese.

Quanto à PT, recordemos que o seu activo mais valioso (uma participação de 50% na Vivo) foi vendido à Telefónica pela agência Sócrates, Lula & Cª, por conta e ordem de Ricardo Salgado, para tapar o buraco do GES, em troca imposta pelo governo de Sócrates da compra de um chaço falido chamado Oi que servia de abrigo aos empresários amigos de Lula e que com esta operação se iniciou a irremediável queda do que Nicolau chama «uma bandeira de Portugal nos mercados externos», bandeira que, na verdade, se limitava à Vivo. Ver a este respeito os inúmeros posts do (Im)pertinências onde esta saga foi acompanhada.

Quando à Cimpor remeto para este post recordando que a Caixa, o lugar geométrico do socialismo bancário, e o BCP, nessa época dominado pela clique socrática que o assaltou, que detinham participações na Cimpor, aceitaram a OPA da Camargo à Cimpor e recusaram uma proposta de Pedro Queiroz Pereira, um empresário desalinhado do regime.

Por último, recordo que a venda dos ridiculamente chamados centros de decisão nacional foi levada a cabo pelos seus maiores defensores (ver a série de posts «A defesa dos centros de decisão nacional») por razões muito simples: a falta de capital português e o pesadíssimo e crescente endividamento ao estrangeiro, produto de várias décadas de desequilíbrio das contas externas resultante das políticas económicas das várias modalidades de socialismo «keynesiano».

Morais

Uma moral fabricada nos centros de decisão nacional: Nicolau foi buscar lã e saiu tosquiado.

Outra moral fabricada na pérfida Albion por Sir Fred Hoyle, um astrónomo com mais jeito para os provérbios do que para a astronomia: «Things are the way they are because they were the way they were».

20/08/2016

Curtas e grossas (36) - António Costa, um falhado

Se um primeiro-ministro tivesse apeado à custa de manobras várias o seu concorrente à liderança do seu partido, tivesse perdido as eleições que acusou o concorrente de não conseguir ganhar, se tivesse aliado com os partidos que mais tinham combatido o seu, se tivesse falhado uma a uma as promessas de crescimento, de reestruturação da dívida, etc., se tivesse proporcionado um espectáculo ridículo de incompetência e insensatez como a recapitalização da Caixa e a nomeação da sua administração, o que diriam dele a comentadoria, os opinion dealerso jornalismo de causas, as corporações que parasitam o Estado sucial e toda a nomenclatura do regime?

Diriam que o homem é um falhado. Por que o poupam? Porque ele é um deles, um novo situacionista sem alternativa à vista de outro que garanta que tudo continua na mesma.

SERVIÇO PÚBLICO: O papel da dupla Animal Feroz-Dono Disto Tudo na sabotagem da OPA da Sonae à PT

Era um segredo de Polichinelo para quem tivesse seguido atentamente o processo, o conluio Sócrates-Ricardo Salgado na sabotagem da OPA da Sonae à PT em 2007. Deixou de ser com as declarações de Paulo Azevedo aos investigadores da Operação Marquês publicadas pelo Observador.

Vale a pena ler a dezena de páginas A4 do artigo «Paulo Azevedo, o homem que antecipou o fim do GES sete anos antes» para se confirmar a extensão da teia de cumplicidades que vão desde a participação activa na sabotagem até aos numerosos prudentes silêncios de Conrado. Muito revelador do que são os interesses e conluios corporativos é a afirmação de Paulo Azevedo de que «a informação da degradação financeira do grupo (GES) ..., seria do conhecimento generalizado dos bancos portugueses e só a influência que Ricardo Salgado tinha no sistema de negócios português terá permitido que a derrocada do império da família Espírito Santo apenas tivesse ocorrido em 2014».

Crescimento da dívida durante o consolado de Sócrates
Não há universos paralelos nem realidades alternativas, se houvesse e fosse possível recuar no tempo e evitar a sabotagem, teríamos tido a queda do GES quatro anos antes da intervenção da troika que teria sido provavelmente antecipada e pouparia a 4 anos de delírios de José Sócrates, de assalto ao orçamento e ao crescimento explosivo da dívida.

19/08/2016

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (15)

Outras preces.

Palavras para quê? É um artista português.

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (138) - Então? Não se indignam por eles não quererem «gajas»?

«Santos Silva critica Ban Ki-moon por este preferir uma mulher como sucessora»

«Temos muitas líderes mulheres distintas e eminentes em governos nacionais ou em outras organizações ou mesmo em comunidades empresariais, políticas e culturais, e em todos os aspetos da nossa vida. Não existe nenhuma razão para que isso não aconteça nas Nações Unidas», comentou Ban Ki-moon numa declaração politicamente correcta que deveria ser aplaudida de pé pela esquerdalhada.

Por que razão Santos Silva, o MNE em exercício, o tal que gosta de malhar na direita, acompanhado por uma legião de defensores da igualdade de sexos géneros, se insurgiu contra Ban Ki-moon? Obrigado por perguntaram. A resposta é simples: o próximo SG da ONU deveria ser uma mulher a menos que o nosso candidato seja um homem.